segunda-feira, julho 27, 2009

Quase em tempo de despedida...

Pedras no Caminho...

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um "não".

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa

terça-feira, novembro 11, 2008

Dói-me a tua Ausência...

Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
Ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
Magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
Por isso, de deixar alguns sinais - um peso
Nos olhos, no lugar da tua imagem, e
Um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
Tivessem roubado o tacto. São estas as formas
Do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
As coisas simples também podem ser complicadas,
Quando nos damos conta da diferença entre o sonho e a realidade.
Porém, é o sonho que me traz a tua memória; e a
Realidade aproxima-me de ti, agora que
Os dias correm mais depressa, e as palavras
Ficam presas numa refracção de instantes,
Quando a tua voz me chama de dentro de
Mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
Como dizer que a tua ausência me dói.

Nuno Júdice

terça-feira, agosto 26, 2008

Ainda que feitas de "rede"...

Que nunca caiam as pontes entre nós...

quinta-feira, agosto 21, 2008

É um prazer voltar ao lar...

Estou de volta para meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo
Um sorriso sincero, um abraço,
Para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade
(...)

(Canção de Elis Regina)

quinta-feira, agosto 14, 2008

Longe de ti...

Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...

Florbela Espanca

domingo, agosto 10, 2008

Para ti, filho...

(10 de Agosto de 2008)

Agosto de 1982

Era um Agosto quente, Agosto ardente
Agosto de ânsia, de dor, de perseverança
Agosto de nova vida, de nova esperança.

Era um Agosto comigo, Agosto contigo
Agosto só sonho, Agosto sem rosto
Agosto apenas... Agosto de Agosto.

Era um Agosto há muito esperado
Era um Agosto que chegava por fim
Agosto de sol que brilhou para mim.

Era um Agosto ventre, Agosto sempre
Na minha memória até eu morrer
Esse Agosto que, feliz, te viu nascer.

MJ
(Adaptação de "Abril de Abril" de Manuel Alegre)

terça-feira, julho 08, 2008

Cansaço

Cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Álvaro de Campos

domingo, maio 04, 2008

No Dia da Mãe...

Minha Mãe,

Como eu gostava de ter uma varinha de condão para me transformar de novo em criança...
Voltar à altura em que não havia preocupações, o tempo era inesgotável e a distância não existia.
Sempre que me deitava no teu regaço, o mundo parecia parar e nada nem ninguém me podia fazer mal.

Infelizmente, tal varinha não existe e eu cresci... Cresci tanto que até já sei o que é o esternocleidomastoideu!
Concretizei o sonho que juntos sonhámos! E a minha maior alegria foi poder dar-te essa alegria!

Sabes, Mãe, neste corpo de adulto ainda mora a mesma criança de antigamente, mas essa criança, de repente, de um dia para o outro, viu-se com responsabilidades, longe de casa e obrigada a dividir o seu tempo e a sua atenção pelas outras pessoas e afazeres que também passaram a fazer parte da sua vida.

E tudo isto é difícil... É tão difícil, Mãe!
Ainda mais quando sinto que te estou a magoar... A pessoa que mais amo... Aquela que fez de mim quem eu sou e a quem devo tudo!

Acusaste-me de ter mudado... De estar diferente... Mas eu não mudei... O que mudou foi a nossa vida...

Eu não mudei... Continuo a ver-te como a minha confidente, a minha conselheira, o meu refúgio e o meu suporte para a vida... E sei que também me vês assim.

Eu não mudei, minha Mãe... Ainda sou o teu menino e sempre o serei...

Venha quem vier, aconteça o que acontecer.


Amo-te muito!

domingo, fevereiro 24, 2008

As lágrimas que não choro...

São de pedra as lágrimas
que não te atiro

por não saber como chorá-las...

Jorge Casimiro

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

A responsabilidade de quem cativa...

(...)
- Adeus - disse a raposa. - Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável, para todo o sempre, por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...

Excerto de "O Principezinho" de Antoine de Saint-Éxupéry

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Faz de conta...

Faz de conta...

- Faz de conta que sou abelha.
- Eu serei a flor mais bela

- Faz de conta que sou cardo.
- Eu serei somente orvalho.

- Faz de conta que sou potro.
- Eu serei sombra em Agosto.

- Faz de conta que sou choupo.
- Eu serei pássaro louco,
pássaro voando e voando
sobre ti vezes sem conta.

- Faz de conta, faz de conta.

Eugénio de Andrade

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Um beijo cheio de saudades, filhote...


"Os filhos são as âncoras que mantêm as mães agarradas à vida."

Sófocles

(Pensamento encontrado aqui)

domingo, janeiro 06, 2008

Tempo... Precisa-se


Começou o 2º período lectivo. Com ele chegaram as manhãs de correria frenética, as tardes de aulas que se prolongam até à noitinha, as noites passadas a planificar e a preparar materiais, os fins-de-semana a elaborar testes ou a corrigi-los.
O tempo que resta é muito escasso. E, obviamente, é dedicado à família...
Assim, uma vez mais, ausentar-me-ei deste cantinho até que, de novo, haja tempo.
Até lá, poderão encontrar-me no “Arrumadores de Palavras”, um “filho” muito querido com, apenas, três meses de “vida” mas que me tem dado um prazer infinito.
Até breve.

Um beijo*

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Em 2008...

Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Adeus, 2007...


Memórias indeléveis...

Ano de 2007, que comigo partilhaste
Felicidade, Angústia, Medo e Coragem...
Leva contigo, nesta “noite de passagem”,
Os segredos meus que tão bem guardaste...

E, nos momentos de profunda solidão,
No baú das memórias irei procurar-te...
Recordaremos, então, o que de mim foi parte
E que outros anos jamais apagarão...

M. J.

domingo, dezembro 30, 2007

Memória...

(Com cerca de seis anos, junto de minha mãe)

Não se perdeu nenhuma coisa em mim.
Continuam as noites e os poentes
Que escorreram na casa e no jardim,
Continuam as vozes diferentes
Que intactas no meu ser estão suspensas.
Trago o terror e trago a claridade,
E através de todas as presenças
Caminho para a única unidade.

Sophia de Mello Breyner

Em 2008... Sejam Felizes!

SER FELIZ...

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um "não".

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa

sábado, dezembro 29, 2007

quinta-feira, dezembro 27, 2007

PRECISA-SE!!!


Como "Amor e uma Cabana" não passa de utopia :-), precisa-se de apartamento, em Lisboa, onde possa viver um casal de pombinhos.
É condição essencial que fique perto de uma estação de metro. :-)

Agradece-se que contactem através de mjgmbs@gmail.com

terça-feira, dezembro 25, 2007

Por ti... tudo vale a pena...

Mesmo que a noite esteja escura,
Ou por isso,
Quero acender a minha estrela.

Mesmo que o mar esteja morto,
Ou por isso,
Quero enfunar a minha vela.

Mesmo que a vida esteja nua,
Ou por isso,
Quero vestir-lhe o meu poema.

Só porque tu existes,
Vale a pena!

Lopes Morgado

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Feliz Natal!

Liguem o som e cliquem aqui.

Um Natal com AMOR e HUMOR :-)

Feliz Natal e um Ano Novo cheio de Saúde, Paz, Amor e... já agora, muito HUMOR :-)

(Liguem o som e cliquem no link)

http://www.elfyourself.com/?id=1738021490

domingo, dezembro 23, 2007

A Nostalgia dos Pretéritos Natais...

Natal à beira-rio

É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.

Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...

Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.

Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

David Mourão-Ferreira

sexta-feira, dezembro 21, 2007

As Palavras que eu adivinho...

(Hospital de Torres Vedras)

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, dezembro 20, 2007

O "Brinquedo" que não chegou...


Velho Menino-Deus que me vens ver
Quando o ano passou e as dores passaram:
Sim, pedi-te o brinquedo, e queria-o ter,
Mas quando as minhas dores o desejaram...

Agora, outras quimeras me tentaram
Em reinos onde tu não tens poder...
Outras mãos mentirosas me acenaram
A chamar, a mostrar e a prometer...

Vem, apesar de tudo, se queres vir.
Vem com neve nos ombros, a sorrir
A quem nunca doiraste a solidão...

Mas o brinquedo... quebra-o no caminho.
O que eu chorei por ele! Era de arminho
E batia-lhe dentro um coração...

Miguel Torga

terça-feira, outubro 09, 2007

sábado, outubro 06, 2007

Porque hoje é Sábado...

Porque hoje é sábado...

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado
Hoje há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado
Há um grande espírito-de-porco
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado
Há criançinhas que não comem
Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado
Há uma comemoração fantástica
Porque hoje é sábado
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado

Vinicius de Moraes
(E porque hoje é sábado e o dia está sublime, vou sair... esconder a tristeza e fingir que estou feliz)

quinta-feira, outubro 04, 2007

No Dia Mundial do Animal... "As Baleias"

Num dia mundialmente dedicado aos seres mais doces e fiéis que existem sobre a Terra, é difícil não recordar este "Hino" às baleias. Apesar de contar já com alguns anos, continua a emocionar-me e a provocar-me um arrepiozinho sempre que o oiço. Chamem-me saudosista, pirosa, lamechas... chamem-me tudo o que quiserem (vá lá... também não abusem! :-) mas "sintam" a canção.

domingo, setembro 30, 2007

Amor com Humor se paga :-)

Com uma semana de atraso, a publicação da "prenda" que o meu filhote me ofereceu no dia do meu aniversário. Um texto de Amor e Humor, como só ele sabe escrever. :-) Parabéns também para ti, meu doce!
(Clicar sobre o texto para aumentar)

segunda-feira, setembro 24, 2007

"O Principezinho" - Vale a pena ver :-)


"O essencial é invisível para os olhos. Só se vê bem com o coração."

Saint-Exupéry, Antoine de (O Principezinho)